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“Já estou a preparar o meu pós-carreira”

“Já estou a preparar o meu pós-carreira”

2022-08-08

Diogo Ramos participou no 20.º Estágio do Jogador aos 35 anos e assinou pelo Fabril.

Aos 35 anos, Diogo Ramos inscreveu-se no Estágio do Jogador depois de um ano ao serviço do Anadia. Com uma carreira marcada especialmente pelos seus anos em Chipre, o avançado português decidiu regressar a Portugal e procurar um clube no sul do país.

Agora, depois de ter treinado sob as ordens de Nandinho e de se ter estreado pela equipa do Estágio frente ao B SAD, Diogo Ramos já foi colocado, tendo assinado pelo Fabril e cumprido a sua expectativa.

Formado no Porto, afirmaste-te no Freamunde, mas, com apenas 22 anos foste para a Roménia. Como é que surgiu essa proposta?
Foi através de uma boa época que fiz em Freamunde. Era muito jovem e não conhecia a Roménia. Chegou um empresário que me apresentou uma proposta financeira muito boa, quer para mim quer para o clube, e decidi aceitar. Era jovem, não sabia para onde ia. Acabou por ser uma experiência difícil, o Dr. João Oliveira sabe bem disso, que eu chateei-lhe a cabeça algumas vezes, mas noutros aspetos foi enriquecedora.

Ainda foram quatro anos lá, antes de regressar. O que é que a Roménia te trouxe de melhor e de pior?
De melhor, trouxe a experiência fora do país, que me fez crescer muito. De pior… Foi um processo muito complicado. O primeiro ano foi muito bom, mas depois o clube financeiramente ficou debilitado e naqueles mercados, a maneira como gerem as situações é um bocado complicada. Então, treinei à parte, muito tempo, a tentar rescindir o contrato, às vezes a fazer três treinos por dia. Foi muito complicado e, graças ao Sindicato e ao Dr. João, consegui rescindir e resolver esse capítulo.

Hoje arrependes-te dessa decisão?
Arrependo-me um bocadinho porque era um jovem com mercado em Portugal e decidi ir pela parte financeira. Fui aconselhado assim, não sabia para onde ia e acabou por ser errado. Fez-me crescer.

De regresso a Portugal, regressaste para o Freamunde, mas depressa voltaste a sair, desta vez para o Chipre. Foi toda uma nova experiência?
Voltei a casa. O Freamunde sempre foi um clube que me acolheu. Acabei por ajudar na parte financeira pela transferência, mas o clube ajudou-me muito mais noutros aspetos. Fiz sempre épocas regulares aqui em Portugal, com alguns anos de Segunda Liga. Fui para o Chipre para apagar aquele mau momento da Roménia e foi a melhor coisa que fiz. Em Chipre foi completamente diferente, a família adorou, eu realizei-me profissionalmente lá e é o meu país de eleição.

Depois de duas temporadas no DOXA, vens, uma vez mais, para o Freamunde. O clube é quase uma segunda casa para ti?
É verdade. Aí já foi uma coisa familiar, foi por causa da minha pequenina. Tivemos alguns problemas em engravidar e então foi meter a família em primeiro lugar. Depois acabou tudo por se concretizar e regressei ao Chipre!

As várias saídas de Portugal foram sempre por vontade própria ou também por falta de oportunidade cá?
Sempre idealizei e sempre corri atrás do sonho da Primeira Liga. Quando senti que isso estava a ser difícil, optei por estes mercados. No Chipre sempre tive, como se diz na gíria do futebol, alguma moral e aproveitei essa boa fase para fazer lá uns anos que considero bons.

“SEMPRE FUI MUITO BEM TRATADO PELO SINDICATO E TEMOS AQUI EXCELENTES CONDIÇÕES PARA TREINARMOS."

O que mais te marcou nos anos todos que passaste fora de Portugal?
Eu vivi duas realidades completamente diferentes. Senti no Chipre que a maneira de receber as pessoas, e mesmo a parte familiar, é muito mais fácil do que em países mais fechados como Roménia, Bulgária e Polónia, onde as pessoas são mais frias. No meu caso, no Chipre, senti-me em casa e a família pôde desfrutar também o extrafutebol.

Os anos no Chipre foram os melhores da tua carreira?
Sem dúvida. Também vivi aqui alguns momentos bons na Segunda Liga, mas no Chipre foram os meus “anos de ouro”.

Agora, com 35 anos, o que te motivou a inscreveres-te no Estágio?
Gosto de pôr a família em primeiro lugar, então defini que o ano passado era o último que jogava fora. A minha mulher é professora, andou sempre atrás de mim, e agora é a vez de ela ser a prioridade. Ela foi colocada cá em baixo, eu sou do Norte e tenho alguma dificuldade no mercado por causa disso. Tem aparecido algumas coisas, mas principalmente no Norte e no Chipre, mas não quero por causa dela. Então, decidi inscrever-me aqui no Estágio, sempre ouvi falar bem, sempre fui muito bem tratado pelo Sindicato e temos aqui excelentes condições para treinarmos. Quero estar preparado para quando a oportunidade chegar, estar bem fisicamente e conseguir corresponder.

Já pensas no final da carreira?
Já estou a preparar o meu pós-carreira. Tenho tirado uns cursos na área do desporto e do futebol. Adorava ficar na parte do futebol, mas se não der, no desporto, até porque andei na faculdade de desporto. Estou a preparar-me porque com esta idade ainda quero jogar mais alguns anos, mas ao mesmo tempo ter uma segunda via para quando isto acabar.

E esses planos no desporto, são para que área em particular?
Gostava de ficar no futebol, agora se não for, tem de ser na área da parte física, ginásio, PT… Estou a formar-me nesse sentido, pois é importante ter um bom leque de opções.